''E vou deitar ao papel as reminiscências que me vierem vindo." Dom Casmurro

Uma palavra caída das montanhas dos instantes desmancha todos os mares e une as terras mais distantes. Cecilia Meireles.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

A FADIGA DO GUERREIRO

O guerreiro se cansa as vezes. Ele sente dor nos pés e tem o peso de seus anseios, esperanças e temores nos ombros.
Na mão ele segura a espada, que também pesa mas ele continua andando sozinho mesmo quando tudo parece inseguro e confuso. Tem certeza de apenas uma coisa: do NORTE. Não do Norte geográfico ou magnético da Terra, mas do seu próprio Norte.
Ele cansa e para, olha em volta e vê apenas o horizonte plano a leste e cercado pelas montanhas a oeste. Ele senta, enterra sua espada no chão de pedras e areia e a observa por alguns instantes enquanto o medo, a dúvida, a solidão, a fragilidade, a desolação e a fraquesa tomama conta d e seu coração. O Guerreiro permite que esses sentimentos invadam seu coração e seus sentidos por alguns instantes, não mais que isso. Então respira fundo, fecha os olhos e transforma todos esses desenganos em um e apenas um sentimento que será decisivo no segmento de sua caminhada, sua trajetória: a certeza.
O guerreiro pode se cansar, ele tem esse direito, ele pode hesitar mas isso não lhe da o direito de desistir ou fracassar. Seria decepcionante não corresponder ao comprometimento que ele fez consigo mesmo antes de pegar sua espada e sair em busca da vitória e é a certeza que o conduzirá pelo caminho certo e por todos os outros.
Com isso o Guerreiro levanta, sacode a poeira da armadura, retira a espada do chão, impunha-a novamente e segue, persegue, consegue, ultrapassa. Como disse SUN TZU em seu clássico livro "A arte da Guerra": "A vitória é o principal objetivo da guerra." E é nesse momento que o Guerreiro se vê sozinho, sem nenhum recurso e só então percebe que o maior, mais fundamental e suficiente de todos os recursos é a si próprio.
A derrota acompanha somente aqueles que a temem.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

CAMAS PEQUENAS

Há algum tempo parei de me ajustar à impostura comercial, essa que é individual e cotidiana. Comercial no sentido conotativo, sim, refiro-me à hipocrisia que passamos a mostrar junto à superficialidade.
Tentei, caro leitor, adequar-me a esses frívolos modismos, em vão é claro.
Repare na música, na literatura, nas artes faladas, recitadas, esculpidas, compostas ou interpretadas e verás o reflexo de nossa geração. O desazo da casta dos "vinte e loucos anos" expressa, em sua maioria, o difuso, o torpe, o vazio. Os ideais foram substituidos pela cultura do descartavel. O que predomina é o que esta em voga e quando a moda passa junto dela vão-se os preceitos, o feitio moral, as peculiaridades, se é que existiam.
Nada mais prevalece. Que desengano cruel de se inferir.
Com isso serei obrigada a fazer uma exclamação a qual chamaria até de chavão.
- Onde estão os nossos idealistas?!
Não cito apenas as classes literárias, musicais, artisticas ou filosóficas, não. Cito pessoas comuns com seus focos individuais, pois até , e principalmente, estes se esvairam em meio ao vão.
Jóvens brilhantes que têm a mente e todos os sentidos aguçados, mortais, seres destinados a morrer estão dormindo em camas pequenas de mais.
Falta amor, paixão, dedicação, entusiasmo. E não me digas tu que quem ama algo não se dedica ou se entusiasma o suficiente para se diferenciar, para ousar, para crer, para conseguir e aprimorar cada vez mais. Quem é devoto a algo que almeja se entrega de olhos bem abertos ou bem fechados e luta, reluta, realisa.
Entenda que uma carteira de cigarro, as vezes, dura mais que o envolvimento entre duas pessoas. Os sentimentos não prevalecem mais e as relações pessoais são baseadas em algo muito distante do cuidado, do trato, da admiração. Não existe mais foco.
Perdoem-me, mas prefiro um bom filme, um bom livro e cabernet souvignon do paralelo 31° a psy, house e red label com energético. E me perdoem mais uma vez por eu não dormir em uma cama pequena.